terça-feira, 30 de abril de 2013

O Poema


Um poema como um gole d'água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como uma pequena moeda de prata perdida para sempre numa floresta escura.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condições de poemas.

TRISTE.
SOLITÁRIO.
ÚNICO.
FERIDO DE MORTAL BELEZA.
Mário Quintana 

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domingo, 28 de abril de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Se nada nos salva da morte...



"Se nada nos salva da morte, 
pelo menos que o amor nos salve da vida" 

Pablo Neruda

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sábado, 20 de abril de 2013

Natiruts - O Carcará e a Rosa


Esse show é bem legal. 
Natiruts (DVD Acústico no Rio de Janeiro-2012),
gravado ao vivo no Mirante Dona Marta.

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terça-feira, 16 de abril de 2013

Sonho impossível



Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais

Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

(Trecho de O Homem de La Mancha, peça teatral
inspirada no livro Don Quixote de La Mancha, de
Miguel de Cervantes. Versão das canções por
Chico Buarque e Ruy Guerra).
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quinta-feira, 11 de abril de 2013

O Andaime



       
O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só a vida mentida
De um futuro imaginado!

Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anônimo e frio,
A vida vivida em vão.

A ‘sp’rança que pouco alcança!
Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança
Sobre mais que minha ‘s’prança,
Rola mais que o meu desejo.

Ondas do rio, tão leves
Que não sois ondas sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passam — verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer.

Gastei tudo que não tinha.
Sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha,
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.

Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida!

Que fiz de mim? Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.

Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só lembranças —
Mortas, porque hão de morrer.

Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim —
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser — muro
Do meu deserto jardim.

Ondas passadas, levai-me
Para o alvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"