A cada instante se criam novas categorias do eterno Eterna é a flor que se fana se soube florir é o menino recém-nascido antes que lhe dêem nome e lhe comuniquem o sentimento do efêmero é o gesto de enlaçar e beijar na visita do amor às almas eterno é tudo aquilo que vive uma fração de segundo mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força o resgata é minha mãe em mim que a estou pensando de tanto que a perdi de não pensá-la é o que se pensa em nós se estamos loucos é tudo que passou, porque passou é tudo que não passa, pois não houve eternas as palavras, eternos os pensamentos; e passageiras as obras. Eterno, mas até quando? é esse marulho em nós de um mar profundo. Naufragamos sem praia; e na solidão dos botos afundamos. É tentação a vertigem; e também a pirueta dos ébrios.
Eternos! Eternos, miseravelmente. O relógio no pulso é nosso confidente.
Mas eu não quero ser senão eterno. Que os séculos apodreçam e não reste mais do que uma essência ou nem isso. E que eu desapareça mas fique este chão varrido onde pousou uma sombra e que não fique o chão nem fique a sombra mas que a precisão urgente de ser eterno bóie como uma esponja no caos e entre oceanos de nada gere um ritmo.