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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Adeus



I
Adeus, loucuras dos
jovens anos
dos beijos dados em
lua plena...
Tempo de muitas fe-
ridas, azucena,
adeus loucuras de cau-
sar-me danos...

II
Adeus, desculpas, desor-
deiros belos,
meu alarme mais terno,
ignorante fruta...
Ah...Uma estrela solitária
que se enluta,
esperança de uma vida
sem paralelos...

III
Adeus, rapazes que a vida
me corta,
sentimentos que atacam
minha aorta...
Tristissima, sou um mís-
sil lançado...

IV
Adeus, meus prazeres,
falsos delitos;
adeus sem uma queixa,
sem um grito,
adeus, meu sonho... nun-
ca abandonado.

 Maria Antonieta. R. Mattos 



terça-feira, 7 de outubro de 2008

Não chega tarde


I
Não! Nada chega tarde, porque
as coisas ciosas tem suas diferenças,
desde uma espiga até a flor...
E qualquer tempo é tempo para
que chegue o amor
tudo tem seu tempo justo, como
o trigo e a rosa...

II
Não! O amor não chega tarde em
teu coração e o meu,
o amor; a qualquer hora, não bate
em porta certa...
ele a toca desde o lado de dentro
porque ela está aberta
E porque sabe que não existe amor
tardío, só no apogeu...
III
E se existe um amor valente... tem
outro que é covarde, mas, de
todo modo, nenhum deles
chega tarde...

IV
Amor... Um Eros insano tendo nas
faces um sorriso louco,
e nada está a salvo se ele, às aflições,
magicamente suaviza
se aproximando lentamente, assim
como vem a brisa...
lança sua flecha certeira, só pra se
divertir um pouco...

V
É assim que este menino-deus
travesso joga, sempre forte,
e sempre mais, enquanto a flecha
entra na ferida...
E até porque, tem nela mesma, o
veneno da ilusão perdida,
a mulher se queda atingida, ferida
profundamente de morte

VI
A mulher arde em sua chama de
paixão... E mais e mais arde...
E mesmo assim não poderemos
dizer que o amor chega tarde...

VII
Não...! Eu não direi nunca em qual
noite de verão, eu não direi
nunca sobre a noite que
só a ti, te digo...
noite que me incendiou o sangue,
que fiquei contigo,
que me estremeceu de febre tua mão
em minha mão...

VIII
Não...! Eu não direi nada dessas
coisas e, todavia menos,
direi do que eu pude observar, em tua
fisionomia pesada...
Mostravas então um rosto
pétreo... Era como uma porta fechada,
levando à rodo minha alegria e amor...
Meus dias serenos...

IX
Nada mais... É porque não era o tempo
do trigo e nem da flor... E,
nem sequer então, eu pude dizer que...
Chegou tarde o amor.


Maria Antonieta R. Mattos

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Sou eu...

I
Se me escapa dos dedos a
carícia sem causa,
se me escapa dos dedos...
No vento ao passar...
A carícia que vaga sem
destino nem objeto,
a carícia perdida, quem a
irá encontrar...?
II
Eu pude amar esta noite
com piedade infinita,
pude amar ao primeiro que
dera certo chegar...
e nada chega. Está só...
minha mágoa aflita,
e a carícia perdida está
difícil de encontrar...
III
Se em teus olhos te beijam
esta noite meu anjo,
e estremece as ramas da
roseira, um doce suspirar...
Se te apertam os dedos uma
mão frágil e pequena,
que te toma e te deixa, que
está contigo sem estar...
IV
Se não vês essa mão, e nem
esta boca a te beijar,
Oh... meu anjo, que tens os
olhos fixos no céu...
Ahé apenas do ar que tens a
ilusão deste troféu,
vais saber que sou eu... daqui
de longe a te amar?..

Maria Antonieta R. Mattos


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Como a lua

I
Olho a lua enquanto dormes...
Ela me assanha;
projetando luz em teus cabelos e;
indo em frente,
vai de teu semblante pelo pescoço,
lentamente,
e, iluminando teu dorso forte,
seu clarão banha...

II
Eu, em pé e recostada
no umbral de tua cabana...
Hoje rezo, choro e rogo,
sabendo inutilmente,
que o curso vagaroso
e feito pela lua refulgente,
eu não posso seguir...
Este amor me engana...

III
Mas me encorajo,
qual a lua silenciosa em teu leito...
Pé ante pé eu chego a tí...
Coração pulando no peito;
e como ela me aproximo,
vendo teu doce repousar...

IV
Como ela, sinto teu calor,
que não me deixa respirar...
O estalo indevido ocorre e me aprumo...
Não tem jeito;
saio do quarto como vim...
Você poderia acordar...

Maria Antonieta R. Mattos

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Beleza

Dancing por Edwin Voûte

I
Amor,
és todo belo,
tens forma idolatrada,
mas não animes de teu
corpo a escultura
com o fogo de uma alma
apaixonada...

II
Tens
a forma de
todo o ideal pagão e ufano
porém, a forma não deve ser toda a formosura;
não é divino em ti... o que não for
humano...

III
Minha
alma que dos sentidos se avassala,
à ti se rende, se entrega
em delírio insano..
Este amor tresloucado que em mim
estala,
IV
viverá
por si mesmo,
por tua força e beleza...
Não mostres pois,
de tua alma a baixeza,
eu amarei pelos dois, me beija e
te cala...


Maria Antonieta R. Mattos