Mostrando postagens com marcador Chico Buarque. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Chico Buarque. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Bom Tempo

Os Pescadores, 1951. DI CAVALCANTI 


Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
O pescador me confirmou
Que o passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo

Do duro toda semana
Senão pergunte à Joana
Que não me deixa mentir
Mas, finalmente é domingo
Naturalmente, me vingo
Eu vou me espalhar por aí

No compasso do samba
Eu disfarço o cansaço
Joana debaixo do braço
Carregadinha de amor
Vou que vou
Pela estrada que dá numa praia dourada
Que dá num tal de fazer nada
Como a natureza mandou
Vou
Satisfeito, a alegria batendo no peito
O radinho contando direito
A vitória do meu tricolor
Vou que vou
Lá no alto
O sol quente me leva num salto
Pro lado contrário do asfalto
Pro lado contrário da dor

Um marinheiro me contou
Que a boa brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo
Um pescador me confirmou
Que um passarinho lhe cantou
Que vem aí bom tempo
Ando cansado da lida
Preocupada, corrida, surrada, batida
Dos dias meus
Mas uma vez na vida
Eu vou viver a vida
Que eu pedi a Deus.

Chico Buarque 

.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Cantiga de acordar

Num jardim fugaz

De espirais sem fim

Eu corria atrás

De mim

            O homem se distrai

Dorme em boa fé 

Sua sombra sai 

A pé
 

Mas

Foi uma ilusão

Uma insensatez

Há que pôr o chão

Nos pés

 Chico Buarque 


.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O que será ser só





O que será ser só
Quando outro dia amanhecer?
Será recomeçar?
Será ser livre sem querer?

Chico Buarque 



.



terça-feira, 16 de abril de 2013

Sonho impossível



Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais

Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

(Trecho de O Homem de La Mancha, peça teatral
inspirada no livro Don Quixote de La Mancha, de
Miguel de Cervantes. Versão das canções por
Chico Buarque e Ruy Guerra).
.

.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um lugar deve existir...



"Um lugar deve existir

uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados vão parar"


Chico Buarque

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Deixe em paz meu coração


Por favor
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água.
Chico Buarque

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quando nasci...

"Quando nasci veio um anjo safado
O chato dum querubim
E decretou que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim"

Chico Buarque