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quinta-feira, 12 de novembro de 2015
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Não há vagas
O preço
do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabem no poema
o operário
que esmerilha seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores
está fechado:
“não há vagas”
Só cabem no poema
o homem
o operário
que esmerilha seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores
está fechado:
“não há vagas”
Só cabem no poema
o homem
sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema senhores,
não fede
nem cheira.
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema senhores,
não fede
nem cheira.
Ferreira Gullar
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