sexta-feira, 1 de abril de 2016
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes...
Em minha casa reuni brinquedos pequenos e grandes, sem os quais não poderia viver.
O menino que não brinca não é menino, mas o homem que não brinca perdeu para sempre o
menino que vivia nele e que lhe fará muita falta.
Pablo Neruda
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
terça-feira, 28 de maio de 2013
Se cada dia cai...
quinta-feira, 25 de abril de 2013
terça-feira, 24 de julho de 2012
Someday, somewhere...
"Someday, somewhere - anywhere, unfailingly,you'll find yourself, and that, and only that, can be the happiestor bitterest hour of your life."
Pablo Neruda
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Saudade
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Soneto LXVIII
A menina de madeira não chegou caminhando:
Ali esteve de súbito sentada nos ladrilhos,
Velhas flores do mar cobriam sua cabeça,
Seu olhar tinha tristeza de raízes.
Ali ficou olhando nossas vidas abertas,
O ir e ser e andar e voltar pela terra,
O dia descolorindo suas pétalas graduais.
Vigiava sem ver-nos a menina de madeira.
A menina coroada pelas antigas ondas
Ali fitava com seus olhos derrotados:
Sabia que vivemos numa rede remota
De tempo e água e ondas e sons e chuva,
Sem saber se existimos ou se somos seu sonho.
Essa é a história da moça de madeira.
Pablo Neruda
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Gosto quando te calas

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheias da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma
e te pareces com a palavra melancolia.
Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.
Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinquo e singelo.
Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre que não seja verdade.
Pablo Neruda
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Talvez
Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos…
E por amor
Serei… Serás… Seremos…
Pablo Neruda
sexta-feira, 17 de abril de 2009
E foi naquela idade...
E foi naquela idade…
A poesia chegou em busca de mim.
Não sei, não sei de onde veio,
Do Inverno ou de um rio.
Não sei como ou quando,
Não, não eram vozes,
Não eram palavras, nem silêncio,
Mas chamaram-me de uma rua,
Dos ramos da noite abruptamente,
Por entre fogos violentos
Ou regressando só,
Ali estava eu sem rosto
E ela tocou-me.Pablo Neruda
segunda-feira, 23 de março de 2009
Esperemos
Esperemos
Há outros dias que não tem chegado ainda,
que estão fazendo-se como o pão
as cadeiras ou o produto
da farmácia ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.
Pablo Neruda










