sexta-feira, 17 de abril de 2009

E foi naquela idade...

E foi naquela idade…
A poesia chegou em busca de mim.
Não sei, não sei de onde veio,
Do Inverno ou de um rio.
Não sei como ou quando,
Não, não eram vozes,
Não eram palavras, nem silêncio,
Mas chamaram-me de uma rua,
Dos ramos da noite abruptamente,
Por entre fogos violentos
Ou regressando só,

Ali estava eu sem rosto
E ela tocou-me.

Pablo Neruda


poesy Pictures, Images and Photos


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Canção de outono


Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o própro coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando àqueles
que não se levantarão...
Tu és a folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A humanidade é infeliz...


"A humanidade é infeliz

por ter feito do trabalho um sacrifício

e do amor um pecado."

Henrique José de Souza

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O vale da inquietude


Dantes, silente vale sorria.
Era um vale onde ninguém vivia.
Haviam todos partido em guerra,
deixando os doces olhos de estrelas
noturnamente velarem pelas
flores formosas daquela terra,
em cujos braços, dia após dia,
a luz vermelha do sol dormia.
Não há viajante que, hoje, não fale
sobre a inquietude do triste vale.
Lá, agora, tudo é só movimento,
exceto os ares, pesando, adustos,
nas soledades de encantamento.
Ah! nenhum vento move os arbustos
que vibram como as ondas geladas
em torno às Hébridas enevoadas!
Ah! nenhum vento essas nuvens guia,
murmurejantes, nos céus insanos,
e que se arrastam, por todo o dia,
sobre violetas, que alguém diria
serem milhares de olhos humanos,
e sobre lírios, de haste pendida,
chorando em tumba desconhecida,
tremendo; e sempre caem, com o perfume,
gotas de orvalho do flóreo cume,
chorando; e desce, nas hastes frias,
um pranto eterno de pedrarias.
Edgar Allan Poe

terça-feira, 7 de abril de 2009

Foi um momento


Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento

Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste

Senti ou não?
Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea

Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido,

Mas tão de leve!…
Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida

Há uma coisa
Incompreendida…
Sei eu se quando
A tua mão

Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,

Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,

Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,

Que nem soubesses
Que tinha ser.
Assim a brisa
Nos ramos diz

Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa


sábado, 4 de abril de 2009

Marte x Vênus - Luis Fernando Veríssimo

Nunca tinha entendido por que as necessidades sexuais dos homens e das mulheres são tão diferentes. Nunca tinha entendido tudo isso de Marte e Vênus. E nunca tinha entendido por que os homens pensam com a cabeça e as mulheres com o coração. Uma noite, semana passada, minha mulher e eu estávamos indo para a cama. Bom, começamos a ficar à vontade, fazer carinhos, e nesse momento, ela fala:

"Acho que agora não quero, só quero que você me abrace".

Eu falei: "O QUEEEEEE??????"

Ela falou: "Você não sabe se conectar com as minhas necessidades emocionais como mulher".

Comecei a pensar onde podia ter falhado.

No final, assumi que naquela noite não ia rolar nada, virei e dormi.

No dia seguinte fomos a um grande hipermercado, com muitas lojas dentro dele. Dei uma volta enquanto ela experimentava três modelitos caríssimos.

Como não podia decidir por um ou outro, falei para comprar os três.

Então ela me falou que precisava de uns sapatos que combinassem, a R$ 200,00 cada par. Respondi que tudo bem. Depois fomos à seção de joalheria, de onde saiu com uns brincos de diamantes.

Estava tão emocionada!

Deveria estar pensando que fiquei louco, agora penso que estava me testando quando pediu também uma raquete de tênis, porque nem tênis ela joga.

Acredito que acabei com seus esquemas e paradigmas quando falei que sim.

Ela estava quase excitada sexualmente depois de tudo isso; Vocês tinham que ver a carinha dela, toda feliz!

Quando ela falou: "Vamos passar no caixa para pagar", tive dificuldade para me segurar ao falar com ela:

"Não, meu bem, acho que agora não quero comprar tudo isso".

Ela ficou pálida. Ainda falei:

"Só quero que você me abrace".

No momento em que começou a ficar com cara de querer me matar, falei:

"Você não sabe se conectar com as minhas necessidades financeiras como homem..."

Acredito que o sexo acabou para mim até o natal de 2008...



quinta-feira, 2 de abril de 2009

Por menor que seja...


"Por menor que seja uma boa ação,

Um dia terá bons frutos."


Seicho Taniguchi