quinta-feira, 11 de março de 2010

Nenhum homem é uma ilha...


"Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti."
John Donne


terça-feira, 9 de março de 2010

Catástrofe

O meu esporte único é a Luta corpo a corpo

com o meu Anjo da Guarda.

Lutamos tanto pelo que queremos,

Que no final ficaremos redondamente mortos no chão,

Para maior alívio de Nosso Senhor,

Para sempre livre de nós dois!

Mário Quintana

sábado, 6 de março de 2010

A vida é...

"A vida é mais simples do que a gente pensa;
basta aceitar o impossível, dispensar o
indispensável e aceitar o intolerável."
Kathlenn Norris

quinta-feira, 4 de março de 2010

O jardim e a casa


Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes

Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.
Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 2 de março de 2010

O peixe


Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante uma campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!
Patativa do Assaré

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Nada é imutável


"Nada é imutável, tudo flui,

estamos em constante

movimentação."

Heráclito

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Consolação


Penso às vezes nos sonhos, nos amores,
Que inflamei à distância pelo espaço;
Penso nas ilusões do meu regaço
Levadas pelo vento a alheias dores...
Penso na multidão dos sofredores,
Que uma bênção tiveram do meu braço:
Talvez algum repouso ao seu cansaço,
Talvez ao seu deserto algumas flores...
Penso nas amizades sem raízes,
Nos afetos anônimos, dispersos,
Que tenho sob os céus de outros países...
Penso neste milagre dos meus versos:
Um pouco de modéstia aos mais felizes,
Um pouco de bondade aos mais perversos...

Olavo Bilac