sábado, 17 de abril de 2010

A provação vem


"A provação vem, não só para testar o nosso valor,
mas para aumentá-lo; o carvalho não é apenas testado,
mas enrijecido pelas tempestades."
Lettie Cowman

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Pensamento

O pensamento caminha
pelas estradas, dos seus sonhos,
procura, por todos os lados
sinais de um rosto risonho.
Repassou por várias vielas
visitou lugares já esquecidos,
algo, que o tornasse ciente
desse amor, a tanto perdido.
O pensamento tem asas
que nunca na vida descansam
visita o passado, pesquisa o futuro,
tenta de todas as formas
trazer, para o presente o que quiser
nunca espera o futuro, ama agora
a quem quer.

Roldão Aires

terça-feira, 13 de abril de 2010

O beijo


Centelha,
fagulha,
alma e matéria.
Agulha.

Seta certeira,
golpe,
corpo e alma
à sorte.

Mãos, línguas,
coração e
meia-morte.

Morre-se a cada beijo verdadeiro
e ressuscita-se para o primeiro.

Autor desconhecido

sábado, 10 de abril de 2010

É a repetição perante a criação


"É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática
perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida...
Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!"
Içami Tiba

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Felicidade


A doce tarde morre. E tão mansa
Ela esmorece,
Tão lentamente no céu de prece,
Que assim parece, toda repouso
Como um suspiro de extinto gozo
De uma profunda, longa esperança
Que, enfim, cumprida, morre, descansa...

E enquanto a mansa tarde agoniza,
Por entre a névoa fria do mar,
Toda minhalma foge na brisa:
Tenho vontade de me matar!

Oh, ter vontade de se matar...
Bem sei que é cousa que não se diz,
Que mais a vida me pode dar?
Sou tão feliz!

- Vem, noite mansa...

Manuel Bandeira



terça-feira, 6 de abril de 2010

Intimidade

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.

José Saramago


quinta-feira, 1 de abril de 2010