terça-feira, 19 de abril de 2011

Quando ponho de parte os meus artifícios...




Quando ponho de parte os meus artifícios e arrumo a um canto, com um cuidado cheio de carinho – com vontade de lhes dar beijos – os meus brinquedos, as palavras, as imagens, as frases – fico tão pequeno e inofensivo, tão só num quarto tão grande e tão triste, tão profundamente triste!
Afinal eu quem sou, quando não brinco? Um pobre órfão abandonado nas ruas das sensações, tiritando de frio às esquinas da Realidade, tendo que dormir nos degraus da Tristeza e comer o pão dado da Fantasia. De meu pai sei o nome; disseram-me que se chamava Deus, mas o nome não me dá idéia de nada. Às vezes, na noite, quando me sinto só, chamo por ele e choro, e faço-me uma idéia dele a que possa amar… Mas depois penso que o não conheço, que talvez ele não seja assim, que talvez seja nunca esse o pai da minha alma…
Quando acabará isso tudo, estas ruas onde arrasto a minha miséria, e estes degraus onde encolho o meu frio e sinto as mãos da noite por entre os meus farrapos? Se um dia Deus me viesse buscar e me levasse para a sua casa e me desse calor e afeição… "Às vezes penso isto e choro com alegria a pensar que o posso pensar… Mas o vento arrasta-se pela rua fora e as folhas caem no passeio… Ergo os olhos e vejo as estrelas que não têm sentido nenhum… E de tudo isto fico apenas eu, uma pobre criança abandonada, que nenhum Amor quis para seu filho adotivo, nem nehuma Amizade para seu companheiro de brinquedos.
Tenho frio de mais. Estou tão cansado no meu abandono. Vai buscar, ó Vento, a minha Mãe. Leva-me na Noite para a casa que não conheci… Torna a dar-me, ó Silêncio imenso, a minha ama e o meu berço e a minha canção com que eu dormia…”
Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego"

sábado, 16 de abril de 2011

Engenheiros do Hawaii - Surfando Karmas e DNA




Música do álbum Acústico MTV de 2004.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dê a quem você ama...





"Dê a quem você ama: asas para voar,

motivos para voltar e raízes para ficar."
Dalai Lama

 


terça-feira, 12 de abril de 2011

Confessional



Eu fui um menino por trás de uma vidraça
_ um menino de aquário.
Via o mundo passar como numa tela
cinematográfica, mas que repetia sempre as
mesmas cenas, as mesmas personagens.
Tudo tão chato que o desenrolar da rua
acabava me parecendo apenas em preto e
branco, como nos filmes daquele tempo.
O colorido todo se refugiava, então, nas
ilustrações dos meus livros de histórias, com
seus reis hieráticos e belos como o das cartas
de jogar.
E suas filhas nas torres altas _ inacessíveis
princesas. Com seus cavalos _ uns
verdadeiros príncipes na elegância e na
riqueza dos jaezes.
Seus bravos pajens (eu queria ser um deles...)
Porém, sobrevivi...
E aqui, do lado de fora, neste mundo em que
vivo, como tudo é diferente! Tudo, ó menino
do aquário, é muito diferente do teu sonho...
( Só os cavalos conservam a natural nobreza.)
Mário Quintana

sábado, 9 de abril de 2011

quinta-feira, 7 de abril de 2011