quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Uma alegria para sempre


As coisas que não conseguem ser
olvidadas continuam acontecendo.
Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre onde as
datas não datam. Só no mundo do nunca
existem lápides… Que importa se –
depois de tudo – tenha "ela" partido,
casado, mudado, sumido, esquecido,
enganado, ou que quer que te haja
feito, em suma? Tiveste uma parte da
sua vida que foi só tua e, esta, ela
jamais a poderá passar de ti para ninguém.
Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte da tua vida presente
e não do teu passado. E abrem-se no teu
sorriso mesmo quando, deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.
Ah, nem queiras saber o quanto
deves à ingrata criatura…
A thing of beauty is a joy for ever
disse, há cento e muitos anos, um poeta
inglês que não conseguiu morrer.

(”Uma alegria para sempre”. Mario Quintana,
In: Baú de Espantos, 1986)

A thing of beauty is a joy for ever:
Its loveliness increases; it will never
Pass into nothingness; but still will keep
A bower quiet for us, and a sleep
Full of sweet dreams, and health, and quiet breathing.

(Primeiros versos do famoso poema de John Keats,
1795-1821, poeta inglês)

A beleza em cada ser é uma alegria eterna:
o seu encanto torna-se maior e nunca se há-de perder
no nada; reservar-nos-á ainda um refúgio
de paz, onde adormeceremos, habitados por sonhos
suaves, uma íntima plenitude, uma respiração branda.

(Tradução de Fernando Guimarães.
In: Poesia Romântica Inglesa, Relógio D’Água, 1992)






terça-feira, 13 de setembro de 2011

A vida é o filme que você vê através dos seus próprios olhos



A vida é o filme que você vê através dos seus próprios olhos.
Faz pouca diferença o que está acontecendo.
É como você percebe que conta.

Denis Waitley


sábado, 10 de setembro de 2011

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Sou grato...

À MINHA MULHER,
por dizer que teremos cachorro-quente ao jantar,
porque ela está em casa comigo e não com algum outro não sei onde!

AO MEU MARIDO,
esparramado no sofa como um purê de batata,
porque ele está comigo e não em algum boteco...

À ADOLESCENTE LÁ DE CASA,
que está reclamando por ter que lavar a louça,
porque isso significa que está em casa, e não nas ruas....

PELAS BRONCAS DO CHEFE,
porque isto significa que estou empregado...

PELA BAGUNÇA QUE RESTOU DEPOIS DA FESTA
porque isto significa que estive rodeado de amigos...

PELAS ROUPAS QUE ESTÃO FICANDO APERTADAS,
porque isso significa que tenho mais que o suficiente para comer...

PELA MINHA SOMBRA QUE ME OBSERVA EM AÇÃO
porque isso significa que estou fora, ao sol...

PELA GRAMA QUE PRECISA SER CORTADA,
PELAS JANELAS QUE PRECISAM SER LIMPAS
E PELAS CALHAS QUE PRECISO CONSERTAR,
porque isso significa que tenho uma casa...

POR TODAS AS QUEIXAS QUE OUÇO CONTRA O GOVERNO,
porque isso significa que temos liberdade de expressão... 

PELA VAGA QUE ACHEI BEM NO FINAL DO ESTACIONAMENTO
porque isso significa que posso caminhar e que tenho meio de transporte...

PELA CONTA MONSTRUOSA DE ENERGIA QUE PAGO,
porque isso significa que estou sempre confortável...

PELA SENHORA DESAFINADA QUE CANTA ATRÁS DE MIM NA IGREJA
porque isso significa que posso ouvir...

PELA PILHA DE ROUPAS PARA LAVAR E PASSAR...
porque isso significa que tenho roupa para vestir... 

PELO CANSAÇO E MÚSCULOS DOLORIDOS AO FINAL DO DIA,
porque isso significa que fui capaz  de dar duro o dia inteiro...

PELO ALARME QUE DESLIGO PELA MANHÃ!
porque isso significa que continuo vivo...

E SOU GRATO PELOS ALOPRADOS QUE SÃO MEUS COLEGAS DE TRABALHO,
porque tornam o trabalho interessante e divertido...

Viva bem, ria sempre e ame com todo o seu coração!

(Não sei quem escreveu isso!)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Tudo que dorme é criança de novo



Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.
Fernando Pessoa



sábado, 3 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Canção de Ballet



Ele sozinho passeia
Em seu palácio invisível.
Linda moça risca um riso
Por trás do muro de vidro.

Risca e foge, num adejo.
Ele pára, de alma tonta.
Um beijo brota na ponta
Do galho do seu desejo.

E pouco a pouco se achegam.
Põem a palma contra palma.
Mas o frio, o frio do vidro
Lhe penetra a própria alma!

“Ai do meu Reino Encantado,
Se tudo aqui é impossível…

Pra que palácio invisível
Se o mundo está do outro lado?”
E inda busca, de alma louca,
Aquele lábio vermelho.

Ai! O frio da própria boca!
O amor é um beijo no espelho…
Beija e cai, como um engonço,

Todo desarticulado…
Linda moça, como um sonho,
Se dissipa do outro lado…

Mário Quintana