sábado, 15 de outubro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Quem sabe um dia



             
               Quem sabe um dia
               Quem sabe um seremos
               Quem sabe um viveremos
               Quem sabe um morreremos!

               Quem é que
               Quem é macho
               Quem é fêmea
               Quem é humano, apenas!

               Sabe amar
               Sabe de mim e de si
               Sabe de nós
               Sabe ser um!

               Um dia
               Um mês
               Um ano
               Um(a) vida!

               Sentir primeiro, pensar depois
               Perdoar primeiro, julgar depois
               Amar primeiro, educar depois
               Esquecer primeiro, aprender depois

               Libertar primeiro, ensinar depois
               Alimentar primeiro, cantar depois

              Possuir primeiro, contemplar depois
              Agir primeiro, julgar depois

              Navegar primeiro, aportar depois
              Viver primeiro, morrer depois.

           Mário Quintana 


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ode à Criança



A criança é criativa porque é crescimento e se cria a si própria. É como um rei, porque impõe ao mundo as suas ideias, os seus sentimentos e as suas fantasias. Ignora o mundo do acaso, pré-elaborado, e constrói o seu próprio mundo de ideais. Tem uma sexualidade própria. Os adultos cometem um pecado bárbaro ao destruir a criatividade da criança pelo roubo do seu mundo, sufocando-a com um saber artificial e morto, e orientando-a no sentido de finalidades que lhe são estranhas. A criança é sem finalidade, cria brincando e crescendo suavemente; se não for perturbada pela violência, não aceita nada que não possa verdadeiramente assimilar; todo o objeto em que toca vive, a criança é cosmos, mundo, vê as últimas coisas, o absoluto, ainda que não saiba dar-lhes expressão: mas mata-se a criança ensinando-a a ater-se a finalidades e agrilhoando-a a uma rotina vulgar a que, hipocritamente, se chama realidade.
Robert Musil





sábado, 8 de outubro de 2011

No Tears - James Blunt





Very, very good... bom fim de semana!







quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ferida exposta ao tempo



É forçoso dizer que me faz falta
o poema que existe e nunca li,
como se algures
brotassem coisas que não vi
e que distantes,
carentes,
dependessem de mim.
Algo como se o intocado fosse a sinfonia
inacabada, mais: rasgada
como o quadro nunca esboçado, perdido
na abatida mão do artista.

O ausente
é uma planta
que na distância se arvora
e é tão presente
quanto o passado que aflora.

E a literatura, mais que avenida ou praça
por onde cavalga a glória, é um
monumento,
sim, de dúbia estória: granito e rima,
alegoria ao vento, lugar onde carentes
e arrogantes
cravamos nosso nome de turista:
— estive aqui, desamado,
riscando a pedra e o tempo
expondo meu sangue e nome
com o coração trespassado.

Affonso Romano de Sant'Anna


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Soneto LXVIII



A menina de madeira não chegou caminhando: 
Ali esteve de súbito sentada nos ladrilhos, 
Velhas flores do mar cobriam sua cabeça,  
Seu olhar tinha tristeza de raízes. 
Ali ficou olhando nossas vidas abertas,  
O ir e ser e andar e voltar pela terra,  
O dia descolorindo suas pétalas graduais.  
Vigiava sem ver-nos a menina de madeira. 
A menina coroada pelas antigas ondas  
Ali fitava com seus olhos derrotados:  
Sabia que vivemos numa rede remota 
De tempo e água e ondas e sons e chuva,  
Sem saber se existimos ou se somos seu sonho.  
Essa é a história da moça de madeira. 
Pablo Neruda

sábado, 1 de outubro de 2011

O Quereres - Caetano e Maria Gadú




Mas só podia vir do Caetano mesmo! Muito bom...